Somos quem devemos ser Sonhos que devemos ter

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http://jessicasoares.com.br/2017/07/29/somos-quem-devem…ue-devemos-ter-2/Se você nasceu em meados dos anos 80, provavelmente ouviu a frase acima nas músicas do grupo Engenheiros do Havaí.

“Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter” era uma parte do refrão da música homônima, que convidava os jovens a serem mais ativos.

Um pop/rock nacional sem pretensão de ser uma lição, mas que no fundo, trazia uma dose de conscientização, quando na sequencia falava que todos eram de certo modo responsáveis,

quem cometia o erro, e quem ocultava o erro, bem como quem não acreditava em nada, e quem evitava duvidar de alguma coisa.

Músicas à parte, hoje, quase trinta anos depois (a música citada é de um álbum de 1988) a mensagem ainda vale. Será que somos quem devemos ser?

Estamos tão acostumados a seguir o fluxo e ir vivendo na ordem das coisas. Desde o primeiro ano escolar, até a faculdade, temos tudo previamente planejado pelos pais, pelo menos, pela maioria deles.

Depois, sem nos darmos conta, somos levados a acreditar que em grande parte estes sonhos também são os nossos, queremos seguir os mesmos caminhos.

Quando não há uma identificação com os pais, seja por que não nos sentimos compreendidos, ou por não haver dialogo mesmo, não raro há uma rebelião, e nos

revoltamos contra tudo o que eles representam – isto inclui inclusive a forma como eles veem a religião.

Nos dois casos, corremos o risco de não sabermos quem somos, e estarmos agindo apenas de forma automática, ou reativa.

Automático ou reativo?

piloto automatico

Quem vive no modo automático não tem muito poder de escolha, é simples. Vai fazendo as coisas porque é o que se faz, é o que os outros fazem, é o que o grupo faz.

Aquele cara que vive em um grupo machista, tende a repetir piadas machistas – mesmo que

ele próprio perceba a ligeira discrepância deste ato, vai achar que é normal, afinal, todo mundo faz.

Tende a perpetuar ideias separatistas, que valorizam mais a força ou o físico, em detrimento de outras coisas, e também tende a acabar sufocando em si qualquer traço que possa ser

menos ‘másculo’, afinal, isto o deixaria um tanto quanto isolado dos demais.

Uma pessoa que vive em um ambiente onde a vaidade impera sobre outras qualidades, vai acabar se sentindo constantemente incompleta se não puder estar alinhada com o que as

normas de beleza ditam, mesmo que ela não se sinta instintivamente a vontade com isto, mesmo que ela queira ser mais despojada, ainda assim, vai se sentir ‘obrigada’ a ser parecida com o que está acostumada a ver. É automático.

Quebrar os padrões neste caso, requer uma verdadeira prova de força, e de consciência própria, o que é difícil, porque o padrão persiste, por anos, e é repassado aos filhos, e netos, causando uma cadeia complicada de dissolver.

E a consciência própria é, por outro lado, algo que necessita de muita prática para ficar visível. Afinal, a frase ‘penso, logo existo’ só reflete metade da verdade, o ideal seria ‘percebo o que penso, logo, existo’.

Já aqueles que vivem pelo modo reativo, bem sabem que algo está errado, é quase um modo automático, em que há sempre um ‘punhado de pedras na mão’, sabe como é?

Quando constantemente você fica certo de que os outros estão buscando uma forma de te agredir, e assim, reage instintivamente a cada ação contrária.

Na verdade, muitas vezes seu comportamento quer apenas mostrar aos outros que você está ali, que você é diferente, que algo não está certo, mas do modo como tudo anda, não é possível.

Vale uma pausa pequena para falar sobre o poder do diálogo nas relações? Se valer, conte que além do diálogo com os outros – pais, mães, amigos e pessoas que te cercam – vale o diálogo

com sua própria mente, aquela voz que fica o tempo todo falando dentro da sua cabeça, e te levando a pensar e sentir as coisas, te incentivando ou desmotivando.

Enfim, a conversa seria muito útil aqui, tanto para chegar a um consenso com os outros e diminuir um pouco a reatividade, quanto para conseguir escutar mais a si mesmo no meio do turbilhão.

Como é que eu sei que estou no modo automático?

Isto é simples, é quando você não consegue explicar os motivos pelos quais faz o que está fazendo, sem passar pelo clichê “porque sim”.

Quando sei que estou ‘reagindo’ aos outros?

Simples também, quando o que você fala tem por fundo a mágoa, e seu sentimento que leva a ação é mais próximo da raiva, e da amargura do que uma motivação saudável.

Fazer o que ama e viver com mais satisfação é uma realidade possível. Não é utopia.

Quando falamos que devemos trabalhar por amor, e que descobrir quem somos é o caminho para isto, não estamos falando grego, acredite, embora pareça apenas um ‘papo místico’,

conhecer a si mesmo é o ponto central para todas as outras mudanças que você pode desejar, é armar-se com uma ferramenta capaz de te ajudar a mover montanhas, a construir verdadeiros monumentos.

A questão é:

  • Se você não sabe quem é, não tem como saber o que quer. Não tem como preencher o vazio que há dentro de você, na verdade não tem nem como sentir direito este vazio. Só sobrevive.
  • Jostein Gaarder mostra em seu livro “Pássaro Raro” que é preciso estar à beira da morte para conhecer o verdadeiro significado da vida.
  • Eckhart Tolle, fala em seus livros, que é preciso se dar conta de sua consciência e se perceber como alguém próprio e individual, temporário no mundo, para aprender a viver com propriedade.
  • O personagem Tyler Durden, do filme Clube da luta, fala mais de uma vez que “enquanto você não entender que vai morrer, não tem como se sentir vivo”.

Aposto que você já viu esta ideia em vários outros livros e filmes também. É como se só fossemos capazes de mudar – de evoluir – diante de uma crise iminente, bem a beira das portas do precipício.

É uma ideia que sempre se repete, em vários contextos e de certo modo, deve ser levada em conta.

Você não precisa ir tão longe e chegar perto do fim, para quebrar as cadeias do comportamento padrão e se encontrar, mas precisa para, entender, sentir, a temporalidade das coisas ao redor para conseguir se desvencilhar e passar a seguir sua própria vida.

Para se dar conta de si mesmo, é preciso primeiro conseguir se enxergar sem nada além de você.

Um exercício que pode ajudar…

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  • Sente em um lugar confortável e relaxe.
  • Baixe os ombros, acalme a respiração.
  • Não coloque músicas, e tente ficar em um local onde você não será incomodado, pelo menos por alguns minutos.
  • Não é meditação, não é Mindfulnees (falaremos disso mais tarde).
  • É apenas ouvir sua mente sem mais nada fazendo interferências.
  • É preciso agora começar a ouvir seus pensamentos. Sim, você vai ouvir, vai escutar mesmo tudo o que passa pela sua cabeça, vai ir lentamente seguindo o fluxo de suas ideias, de modo que consiga perceber um padrão entre elas.
  • Em seguida, vai escrever como se sente, o que cada pensamento te trouxe, em nível emocional.
  • Pensou no trabalho? Ficou feliz, triste ou frustrado? Pensou na família? Ficou com saudades, sentiu alegria ou algum sentimento negativo?
  • Não alimente estes pensamentos, deixe que eles venham, e sigam seu caminho. Não é para ruminar uma briga que aconteceu semanas antes, nem ficar repetindo as broncas que deu ou levou de alguém, aqui, você vai deixar vir a luz sentimentos e pensamentos que normalmente oculta de si mesmo por causa da pressa do dia a dia. Leve no máximo 15 minutos por vez, para não se sobrecarregar logo no início.

No final de alguns dias, você vai perceber que tem uma visão mais clara a respeito do que sente.

E, se fizer isto sempre, vai conseguir ir deixando de ser reativo ou automático, para conseguir tomar posse da direção da sua vida.

Este exercício ajuda a limpar um pouco das interferências, seja honesto, e principalmente, não se julgue ou julgue os outros.

Como pouco ouvimos o que nossa mente fala, pouco sabemos sobre o que ocorre nos bastidores, este é um meio de fazer uma espécie de visita aos bastidores.

Não pense que consegue mudar o mundo, ao analisar melhor a si mesmo assim, você pode ir mudando a si mesmo, e sim, com o tempo, seu mundo vai mudar também.

Vamos falar sobre outras formas de conhecer melhor si mesmo no meio do turbilhão da vida moderna em breve, fique atento.

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